Por Walter Lidio Nunes
Presidente do Banco de Alimentos do Rio Grande do Sul
Vivemos em uma sociedade cada vez mais centrada nas pessoas, na sua dignidade, no bem-estar e na qualidade de vida. Construir uma sociedade melhor para todos, entretanto, não depende apenas das instituições ou das políticas públicas. Exige uma cidadania participativa, na qual cada pessoa reconheça que também é um agente social e pode contribuir para transformar positivamente a realidade à sua volta.
Começa a se consolidar uma nova consciência: participar da construção da sociedade não é apenas um direito, mas também uma responsabilidade. A omissão diante dos problemas coletivos, quando temos condições de contribuir, passa a ser também uma forma de irresponsabilidade social.
É nesse contexto que ganham importância as comunidades sustentáveis, capazes de reconhecer seus limites naturais, humanos e sociais e de desenvolver formas de diálogo, cooperação e governança para buscar equilíbrio e melhores condições de vida para as atuais e futuras gerações.
Essa construção exige pessoas dispostas a assumir o papel de agentes de transformação social. É nesse espaço que o voluntariado assume uma dimensão maior. Ser voluntário não significa apenas dedicar algumas horas a uma ação social. Voluntariado é uma atitude diante da vida: reconhecer que todos temos algo a oferecer — tempo, conhecimento, experiência, trabalho, criatividade ou capacidade de mobilização.
Para construirmos uma sociedade sustentável e inclusiva, não basta apenas “fazer a minha parte”. É preciso contribuir para que cada um possa fazer a sua parte. O voluntariado não substitui o papel do Estado, das empresas ou das organizações sociais. Ele mobiliza cada ator para que assuma sua responsabilidade.
O voluntariado também contribui para formar cidadãos, estimular a participação comunitária, fortalecer a solidariedade e aperfeiçoar a governança social. Pode aproximar cidadãos, organizações, empresas e poder público na busca de soluções para problemas que afetam as comunidades.
Por isso, precisamos educar para uma cidadania participativa, estimulando cada pessoa a perceber sua capacidade de contribuir. Pequenas ações, quando articuladas e multiplicadas, podem produzir grandes transformações.
Neste Dia do Voluntário, mais do que homenagear aqueles que dedicam seu tempo ao próximo, é importante reconhecer o voluntariado como instrumento de cidadania e transformação social.
Ser voluntário é mais do que ajudar. É participar, assumir responsabilidades, mobilizar e acreditar que a realidade pode ser transformada — e decidir fazer parte dessa transformação.
Confira a matéria publicada em Zero Hora: https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2026/08/voluntariado-uma-expressao-de-cidadania-e-transformacao-social-cmtc3wmb101pw015g7hx16xwk.html